Confiança e privacidade: eu posso monitorar o que meu filho vê na internet?
Hoje em dia, o acesso ao mundo digital começa cada vez mais cedo. No Brasil, 81% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos possuem celular próprio, e 76% já usaram redes sociais.
Vivemos um cenário em que a infância e a adolescência estão profundamente entrelaçadas às telas, aumentando significativamente os riscos que essas crianças estão correndo.
Diante disso, muitos pais se perguntam até que ponto eles podem, ou devem, monitorar o que os filhos fazem na internet.
A resposta não é simples, e passa por três pilares: proteção, orientação e, acima de tudo, confiança.
Monitorar é proteger
Crianças e adolescentes não têm maturidade emocional, cognitiva ou crítica para filtrar sozinhos tudo o que encontram online. Sem orientação adequada, podem estar expostos a pornografia, jogos de azar, discursos de ódio ou, até mesmo, criminosos em busca de contato com menores.
O monitoramento é uma forma de criar um ambiente digital seguro e deve ser gradual, alinhado ao nível de maturidade e sempre acompanhado de diálogo, evitando invadir a privacidade da criança.
Privacidade: quando ela começa e como respeitá-la
É natural que, com o crescimento, crianças e adolescentes desejem mais autonomia. Isso inclui privacidade no ambiente digital. Mas privacidade não significa ausência de limites.
Assim como não deixamos uma criança pequena atravessar a rua sozinha, também não podemos entregá-la ao mundo digital sem supervisão.
O equilíbrio ideal envolve:
- explicação clara sobre o porquê das regras;
- transparência sobre o uso de ferramentas de controle;
- acordos construídos em conjunto;
- revisões periódicas conforme o jovem demonstra responsabilidade.
Quando o monitoramento é feito às escondidas, cria-se um ambiente de desconfiança, e isso pode ser ainda mais prejudicial do que o conteúdo online em si.
A importância da confiança e do vínculo familiar
A principal forma de proteção é a relação entre pais e filhos. A confiança é construída, e isso é um ponto principal.
Isso significa uma escuta sensível e sem julgamentos, conversas com naturalidade, estabelecimento de regras e evitar ameaças.
Quando o jovem confia nos pais, ele pede ajuda quando vê algo estranho, e isso é imprescindível para combater riscos online.
Quando se preocupar?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, alguns sinais podem indicar que a vida online está prejudicando a saúde emocional:
- isolamento;
- irritabilidade ou ansiedade;
- dificuldade para dormir;
- queda no rendimento escolar;
- obsessão por estar conectado;
- alterações de humor após experiências digitais.
Se notar mudanças súbitas ou comportamentos preocupantes, procure conversar com seu filho e, se necessário, buscar apoio profissional.
A meta, afinal, não é vigiar e punir, mas sim educar para que, no futuro, o jovem navegue com autonomia, senso crítico e segurança.
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